sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

VINHOS DA SUA GARRAFEIRA VIII



VINHOS DA SUA GARRAFEIRA VIII

Vinhos do Alentejo

Região de ondulantes planícies, o Alentejo apresenta uma paisagem relativamente suave e plana que se estende por quase um terço de Portugal continental. 

VINHA DO ALENTEJO

Os solos alternam entre o xisto, argila, mármore, granito e calcário, numa diversidade pouco comum. O clima é claramente mediterrânico, quente e seco, com forte influência continental. O Alentejo encontra-se dividido em oito sub-regiões, Borba, Évora, Granja-Amareleja, Moura, Portalegre, Redondo, Reguengos e Vidigueira. Portalegre é a sub-região mais original, com solos predominantemente graníticos, influenciada pela frescura da Serra de São Mamede. A paisagem oferece inúmeras parcelas de vinhas velhas, plantadas nas encostas íngremes da serra, beneficiando de um microclima único que confere frescura e complexidade. Borba, Évora, Redondo e Reguengos personificam a identidade alentejana, terra de equilíbrio e harmonia, na proporção certa entre frescura e fruta, energia e suavidade. As sub-regiões de Granja-Amareleja, Moura e Vidigueira, no Sul da denominação, oferecem vinhos mais quentes e suaves, com terras pobres e secas, onde a vinha sofre com a dureza do clima e a pobreza dos solos.
Nas variedades brancas destacam-se as castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, para além das hoje pouco valorizadas Diagalves, Manteúdo, Perrum e Rabo de Ovelha. Nas castas tintas sobressaem o Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Aragonez, Castelão e Trincadeira, para além das pouco valorizadas Moreto.
Dentro dos vinhos brancos Alentejanos a variedade é grande e a escolha difícil. Vou referir apenas quatro que me parecem importantes para ter na sua garrafeira.

HERDADE DE GROUS

Herdade de Grous 2012 branco, nasceu das castas Antão Vaz, Arinto, Roupeiro. Apresenta-se com uma cor verde dourada. Aroma exuberante a frutos tropicais. Sabor rico em fruta, fino, elegante e com bom equilíbrio de acidez. Deve ser servido a uma temperatura de 12-14ºC. Acompanha na perfeição pratos ricos de peixe e mariscos. Teor de álcool 13,5 % vol.


Cartuxa " Pera Manca " Branco 2010, proveniente das vinhas da Fundação Eugénio de Almeida, as castas utilizadas são as Antão Vaz e Arinto, o Pêra-Manca branco é caracterizado por uma cor citrina, aroma frutado e paladar fino, complexo e persistente. Depois de colhidas, parte das uvas fermentam em depósito de aço inox e a outra parte em barricas de carvalho francês, a temperatura controlada. Após a fermentação, segue-se um estágio de 10 a 12 meses sobre borras finas com batonage. Por último, o vinho beneficia de um estágio final em garrafa durante 6 meses. Aspecto brilhante. Tem uma cor palha com ligeiros reflexos esverdeados. Aroma profundo, fino, a fruta madura e pão tostado. Muito potente com grande volume de boca, associado a um correcto equilíbrio ácido. Final de boca muito prolongado e fresco. Álcool: 13% vol.
A partir das castas Viognier, Alvarinho, Semillon e Arinto, surge o Monte Ravasqueira 2012 branco, com teor de álcool 12,5 % vol; apresenta cor citrina, aspecto jovem, com nuances esverdeadas. No nariz, em virtude da presença de três castas bastante aromáticas, sentem-se os aromas intensos de fruta de caroço, muito pêssego, citrinos e flor de laranjeira envoltos numa dose de frescura que transmite uma certa leveza e cheiro a verão. Na boca a frescura continua a ser nota dominante, quer pelo seu perfil com muita fruta fresca e sumarenta, quer pelo seu toque mineral. Cheira a verão, a esplanada, mas também com corpo suficiente para seguir mais adentro numa refeição. 

MONTE DA RAVASQUEIRA

E por último, da Vidigueira, um vinho branco, o Herdade Grande - Colheita Seleccionada 2012, a partir das castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, tem aspecto límpido e brilhante, apresenta uma bela tonalidade citrina, muito apelativa com ligeiros laivos amarelados. No nariz sobressaem aromas frutados, onde predominam os frutos tropicais complementados por notas cítricas, com toque suave a tosta. No palato aparece redondo, com sabor rico a fruta tropical, pêssego e maracujá e breves nuances a mel. Acidez bem balanceada, boa estrutura e untuosidade com final fino e persistente. Teor de álcool de 13,5 % vol. Sugere-se que a degustação deste vinho seja feita com marisco ou peixe. Temperatura de consumo aconselhada 8° a 10° C.

Muitos outros poderiam ser referidos, tão vasta é a região e tão bons vinhos produz. Mas a garrafeira e os euros condicionam, por isso se tem que fazer uma escolha. Na próxima página vamos continuar no Alentejo e faremos referência aos tintos que proponho para a sua garrafeira.


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