quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

VINHO DO PORTO E ESTÓRIAS PESSOAIS

VINHO DO PORTO E ESTÓRIAS PESSOAIS 
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A minha família pertence a uma região do Douro Superior e naturalmente desde tempos remotos que se fazia vinho fino nas adegas lá em casa. Tal como se sabe, há épocas de boas e de menos boas colheitas. Como tal, também o vinho fino pode se muito bom ou menos bom. Como já se sabe, um cálice de vinho fino (ou de vinho do Porto, como hoje é designado), faz parte de todas as festas, recepções e das mais diversas comemorações. Como tal, seria improvável que em casa de um produtor, isso não constituísse uma tradição. Como também já foi referido, o vinho fino é servido em finos cálices e um bom apreciador vai degustando lentamente, inalando os aromas, molhando os lábios, saboreando o esplêndido paladar desse néctar dos deuses. Enquanto a amena cavaqueira prossegue, vai-se saboreando e o cálice pode durar uma hora ou mais a ser totalmente ingerido.
O meu avô tinha sempre duas garrafas com o precioso néctar; uma delas continha um vinho de alta qualidade e a outra garrafa um vinho inferior. Claro está que quando era recebida alguma visita, logo era servido um cálice do melhor vinho fino. Quando o visitante bebia rapidamente o seu cálice o meu avô ficava muito aborrecido e fazia um discreto sinal à criada (assim eram designadas as empregadas domésticas nessa época) e esta imediatamente servia o visitante com um novo cálice com a garrafa de vinho de qualidade inferior. Eu pessoalmente aceito este procedimento, já que um vinho que é um néctar dos deuses só deve ser bebido por quem o saiba apreciar.
Uma outra estória ligada ao vinho do Porto era contada por outros meus familiares chegados, residentes na cidade do Porto.
 Nos anos vinte do século passado, tinham um amigo frequentador habitual de sua casa, de nacionalidade inglesa, de nome Tomás (Thomas). O senhor Thomas era um bom apreciador dos vinhos do Douro e como não podia deixar de ser, do precioso néctar que ele comercializava, importando para a sua pátria quantidades apreciáveis desse vinho generoso. Ficou na memória e foi passando de geração a geração um dito do senhor Thomas, no seu português arrevesado: - “água ser boa para lavar pés e passar debaixo de pontes”… Era assim, com graça, que o senhor Thomas elogiava os bons vinhos da região do Douro que preferia, sem dúvida alguma, à água.


QUEM NÃO APRECIA È COMO QUEM NÃO VÊ 
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